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Uma Carta Aberta ...

Se lês estas palavras é porque, algures no tempo, nos cruzámos. Escrevo-te, por isso, neste registo informal, entre pares. Talvez não saibas ainda, mas sou o segundo candidato da CDU na região do Algarve. Apesar de não haver expectativas em relação à minha eleição, dediquei-me ainda assim à campanha nas últimas semanas, com a confiança na mais valia do projecto que apresentamos para o país e para a região e com a certeza de que a eleição de uma deputada - a nossa primeira candidata Catarina Marques - representará um enorme ganho para as populações do Algarve.


Durante esta campanha, apresentei-me, como sou, ao lado de activistas e outros candidatos, representando este que é o Algarve real. Não vivemos fechados em gabinetes e não andamos nos corredores do "poder". Somos pessoas como tu: filhos, pais, trabalhadores, estudantes ou reformados. Conhecemos as dificuldades em arranjar casa própria por causa do preço da habitação no Algarve e já sentimos a saudade de quem viu família ou amigos partir em procura de melhores condições. Apesar da resposta dada pelo SNS nos últimos tempos, sentimos também na pele os atrasos nas marcações de exames e consultas. Sabemos as dificuldades de chegar ao fim do mês com tão pouco salário ou nem sabemos o que é um salário certo porque pulamos de trabalho em trabalho com contratos a prazo, apesar do posto que lá deixamos ser logo ocupado por outro. E apesar do que tanto dizem de nós, sabemos até o que custa manter um negócio aberto, quando as despesas com electricidade, gasolina, transportes, entre outros, aumentam, enfrentando tantas vezes a concorrência desleal de grandes superfícies comerciais. Sabemos e conhecemos todas essas realidades, porque são também a nossa realidade!


Valorizamos, obviamente, o que se conquistou nos últimos anos quando, depois das eleições de 2015, afastámos um governo PSD/CDS de má memória para tantos e criámos as condições para melhorar salários, aumentar pensões, tornar os livros dos alunos gratuitos, baixar os preços dos transportes públicos, entre outras medidas que só foram possíveis pelo esforço da CDU. Infelizmente, não fomos mais longe porque com pouco mais de uma dezena de deputados num conjunto de 230, não tínhamos como fazer avançar mais das nossas propostas. Mas, ainda assim, isso nunca nos impediu de tentar!


As eleições para que agora partimos, e que tantos tentaram colar ao PCP como sendo responsabilidade sua pelo chumbo do Orçamento de Estado, são na verdade uma responsabilidade partilhada entre o Presidente da República e o governo PS que, como demonstrou nas primeiras semanas de campanha, ambicionava uma maioria absoluta. No fundo, ambicionava voltar a tempos passados em que, livre da influência de partidos como o PCP ou o PEV, aplicava políticas que, em grande medida, não o distinguiam assim tanto da direita.


Mas, cada vez mais, tudo indica que tal não acontecerá.


No entanto, e por outro lado, a direita tem crescido à boleia daqueles que foram também as limitações do governo PS, numa espécie de "pescadinha de rabo na boca" em que a falta de respostas alimenta a força dos que não querem dar resposta, como são o PSD, CDS e outros projectos.


No próximo domingo, seremos, por isso, confrontados com a escolha entre quem, como a CDU, pretende um país de progresso, mais justo, com uma economia diversificada e menos dependente de sectores como o Turismo, capaz de gerar riqueza que seja distribuída de forma eficaz e investida em serviços públicos que deem resposta eficaz aos problemas das pessoas e quem, como outros, querem na verdade o retrocesso, aumentando o fosso entre quem trabalha e quem vive da especulação nas suas diversas vertentes, vendo a riqueza de uns aumentar à custa da criação de pobreza entre tantos outros. 


Da nossa parte, podemos garantir que todos os candidatos eleitos pela CDU serão candidatos que servirão o propósito da construção de um Algarve e de um país melhor, ao mesmo tempo que, como no passado, seremos força decisiva para impedir as direitas de chegar ao poder. E, apesar de procurar convergências, a CDU também não o fará à custa da matriz do seu projecto. Para nós, a estabilidade de nada serve se não servir para proteger os interesses das pessoas como nós: os cidadãos comuns, os trabalhadores, os reformados, os estudantes, os donos de pequenos e médios negócios. Essa será sempre a nossa linha de intervenção!


É por isso, que com toda a confiança, dou a cara neste apelo ao teu voto no dia 30 de Janeiro na Coligação Democrática Unitária (PCP+PEV), com a certeza de que, independentemente dos resultados, cá estaremos no dia seguinte às eleições, na luta pela construção de um futuro melhor para todos!


Se tiveres alguma questão que gostasses de ver esclarecida, não hesites em perguntar. 


Um abraço,


Mário R. Cunha


👉 Vê um pequeno vídeo com a declaração de final de campanha em São Brás de Alportel:


👉 Conhece o compromisso eleitoral para a região do Algarve aqui.